segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu e os loucos



Tudo começou quando eu tinha 14 anos.
Namorava um garoto de nome doce, da pele dourada, das palavras certas e apropriadas.
Estávamos nos dando bem. Ríamos juntos. Ele era romântico como eu.
Parecíamos ter um futuro como casal adolescente.

Carnaval chegando.
Ele Olinda, eu Natal.
Vieram os medos, os ciúmes, a então saudade.
Ele foi eu fiquei.
A saudade bateu, a tristeza me olhou.

Fui dar uma volta no shopping para distrair o pensamento.
Encontrei com uns amigos e com eles estava um garoto que eu não conhecia.
Fui olhar a vitrine de uma loja. O garoto desconhecido, veio por trás de mim e falou alguma coisa pela qual não me lembro.
Quando olhei pra ele, senti algo absurdamente inexplicável. Que hoje em dia sei bem do que se trata: a loucura.
Larguei o namorado do nome doce, da pele dourada, do sentimento concreto. Para gostar de alguém que maltratava os gatos na rua, falava mal da mãe, usava drogas e andava com a cueca de fora.
Começava então a minha saga pelos loucos de plantão.
O namoro com o menino da cueca de fora, entre idas e vindas durou três anos.
Com direito a pacto de sangue, brigas, paixão fervorosa e um adeus doloroso.
Depois dele tomei gosto pela “coisa”;
Pela palavrinha que todo mundo adora usar, mesmo sem saber de fato o que ela significa: loucura.
Namorei uns caras calmos, com a vida regrada. Sempre apaixonados, mas eu ia perdendo a vontade deles os achava monótonos e sem emoção.

O Tatuador: O cara era completamente desmiolado. Bebia e enlouquecia.
Tinha se envolvido com drogas e estava em recuperação.
Mas às vezes ainda as usava, dava pra notar pela tamanha euforia.
Tinha um passado triste. Um filho que não via, uma péssima relação com o Pai.
Enfim, roubada!
Passei dois meses namorando um cara meio agressivo, que não tinha outro assunto a não ser tatuagem.
Resultado: saí correndo!

O cara de 50 anos que morava com os Pais: Líder de banda de rock. Um talento nato. Mas um medo de se apaixonar que o tornou um cafajeste.
Quando o sentimento começava a brotar no peito, ele corria como vampiro de água benta. Pulava fora e entrava em outra.
Envolveu-se com drogas e também estava em recuperação.
Fazia loucuras no palco, varria o chão com o corpo, dizia coisas sem nexo.
A última vez que nos vimos ele mal me olhou nos olhos, mas não precisou para eu ter certeza que o medo do amor era contagiante.
Também saí correndo!

O garoto de programa:
O conheci há 10 anos, numa situação totalmente inusitada.
Beijamos-nos debaixo de uma árvore. Bem adolescentes!
O tempo passou. Reencontramos-nos.
Acabamos ficando juntos, sem estar junto, por dois anos.
Fui aos poucos descobrindo a sua vida maluca.
Sem emprego certo, sem estudo. Fazia alguns “programas” para encher o bolso.
Tem a lábia mais eficiente que já vi.
Esteve com inúmeras mulheres dessa cidade.
Porém, é de longe uma das pessoas mais agradáveis para se conversar. Assim como eu, adora os mistérios da mente humana, filosofia, psiquiatria, música. E para agravar ainda mais, temos uma química sem igual.
Resultado: Nunca consegui sair correndo, nem sair de jeito nenhum.

O poeta louco:

O conheci pelo o Orkut. Esse brinquedinho que quase todo mundo adora.
Gostei do seu perfil, das suas poesias, do seu romantismo declarado.
Soube que ele tinha um relacionamento de idas e vindas. Mesmo assim quis pagar pra ver (o que me é peculiar).
Passamos quase duas horas no telefone, antes de nos conhecermos de fato.
Encontramos-nos. Papo bom, sintonia poética, muita bebida.
Junto com a viagem etílica vieram as juras de amor.
(Pelo amor de Deus, bêbado fala cada coisa! Duvide sempre dos bêbados!)
Tudo perfeito tal qual romance americano.
Eis que o céu fica cinza.
O poeta amoroso torna-se um poeta teimoso e um tanto chato.
Cobrava demais a minha atenção. Fiquei assustada, como um passarinho enjaulado.
Não deu outra: Fim.
Depois que ele atuou por semanas no papel de vitima, vim a descobrir que ele estava mais pra cafajeste. Enquanto vomitava a culpa do nosso fim, sobre mim, desfilava com um novo amor.
P.S: Fuja dos caras que te amam a primeira vista. Que antes de você ele não havia sentindo tamanha emoção. ROUBADA!

O garoto mimado e rebelde:
Meu coração quase se rasgou de tanta paixão.
E pior que sei que namorado como ele vai ser difícil encontrar.
Conhecemos-nos no jogo do Brasil, da Copa.
Numa situação bem maluca.
Beijou-me a mão.
Apaixonamos-nos absurdamente!
Ele vivia mais na minha casa que na dele.
Brincávamos muito.
Foi o único que soube viver o meu lado infantil.
Não éramos um casal cotidiano. Estávamos sempre dentro de uma nova aventura.
Mas ao mesmo tempo éramos um casal extremista. Amor demais, dor demais, ciúme demais, presença demais. Ufa!
Eu pouco via meus amigos, ele pouco via os amigos dele.

Sabe aquele casal que se ama tanto que começa a fazer mal um para outro?
Ele quis me colocar num lugar que só ele chegava e usufruir de uma liberdade egoísta.
Um menino mimado querendo ser Woodstock.
Isto é, fim!
Quase morro em vida.
Sofri como um abstinente de heroína.
Arrancá-lo de minha alma foi uma das coisas mais sofridas pelas quais já passei.
Sobrevivi.
Amor louco, amor breve.

O Ex-detento:
Estava eu na fase do desapego.
Bastando-me.
Eis que...
Feriado na praia.
Bebida. Amigos loucos. Céu doce.
Dançava como nunca. Até que alguém puxa meus cabelos e dou-lhe uma tapa na cara.
Olhamos-nos profundamente e nos beijamos loucamente, ardentemente.
A noite se vai o dia chega.
Cada um segue seu rumo.
Logo soube que ele tinha acabado de sair da cadeia. Muitos dizem que ele é inocente.
Mas numa coisa ele é totalmente culpado: loucura.
O cara não ta sóbrio nem quando está.
Gosta de chapação excessiva. Não trabalha, não estuda.
É um Pai ausente.
Quer roubada maior que esta?

Agora eu me pergunto, porque cargas d água, eu sou pára raio de doidos?

4 comentários:

Barbara disse...

Nossaaaa bichaaa!!! História loucaa!!! kkkkkkkkkk Amei!! Parece que foram ontem esses "causos"... lembro-me bem (como expectadora)de quase todos eles!!
Devo adimitir que o último é ilário!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Muito bom mesmo!!! :)
Quanto a sua pergunta final... só vejo uma responta: tu tb é doida amigaaaa!!!! kkkkkkkkkkk
Amo-te minha poeta preferida!!

Gian Fabra disse...

que currículo!!!
rsrsrs
talvez flertar com a loucura seja uma forma de continuar sã... vai saber?

Espírito disse...

Imagem e semelhança...

Quer dizer, você é o outro.

eddie disse...

Caramba! E quem consegue acalmar a tua alma? Ainda está para aparecer...rs

Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria

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