
O primeiro foi na adolescência
Tinha eu dezessete anos
Ele dezoito.
Show do Cidade Negra.
Ele se aproximou e falou sem parar.
Beijamos-nos. Encontro de almas.
Música de fundo: “Amor igual ao seu, eu nunca mais terei”.
Pareciam adivinhar o que aconteceria mais tarde.
Passamos as férias juntos.
Mas logo chegara a hora da partida.
Eu, potiguar.
Ele, pernambucano.
O esperei na calçada para o “adeus”.
Unhas verdes para dar esperança.
Beijos com lágrimas
Muitas cartas de amor, conta telefônica alta, broncas do Pai, saudade dolorosa.
Ficamos assim por alguns meses.
Algumas chegadas e muitas partidas.
O amei de corpo, alma, coração
Separação e eternidade.
Ele é a única pessoa que não deixei de amar.
O segundo.
Havia me separado recentemente.
Na verdade desde que olhei dentro de seus olhos
Sabia que a minha vida seria dele
E a dele, seria minha.
Foi uma paixão calorosa
Um amor com um quê infantil
A gente sempre se divertia
Brincávamos de adedonha, tomando vinho
Amávamos-nos nas areias das praias
Sem medo algum de sermos vistos
O amor enche os olhos
Mas como veio, foi.
Ele era muito jovem
Cheio de mimos familiares
Praticava o desapego
Mas mesmo assim
Sei que me amou
Vi seus olhos em desespero
Quando anunciei a partida
Isso me fez ficar
E ele partiu.
O terceiro
Esse foi um amor louco
Na verdade ainda é
Nunca conseguimos cortar os laços
Mesmo passando meses sem se ver
Temos muito em comum
O rock, a ânsia pela vida
O fascínio pela mente humana
A pele é o nosso maior propósito
Isso não diminui os sentimentos
Sei que ele existe
E não é pequeno
Mas como ambos
Nunca quiseram se entregar a esse amor
Amamos pela metade
E nos damos por completo
Somos uma dupla de incoerentes
Mas que saudade do sorriso dele!
:: Luisa Fernandes ::