terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os três




O primeiro foi na adolescência
Tinha eu dezessete anos
Ele dezoito.
Show do Cidade Negra.
Ele se aproximou e falou sem parar.
Beijamos-nos. Encontro de almas.
Música de fundo: “Amor igual ao seu, eu nunca mais terei”.
Pareciam adivinhar o que aconteceria mais tarde.

Passamos as férias juntos.
Mas logo chegara a hora da partida.
Eu, potiguar.
Ele, pernambucano.

O esperei na calçada para o “adeus”.
Unhas verdes para dar esperança.
Beijos com lágrimas
Muitas cartas de amor, conta telefônica alta, broncas do Pai, saudade dolorosa.

Ficamos assim por alguns meses.
Algumas chegadas e muitas partidas.
O amei de corpo, alma, coração
Separação e eternidade.
Ele é a única pessoa que não deixei de amar.

O segundo.

Havia me separado recentemente.
Na verdade desde que olhei dentro de seus olhos
Sabia que a minha vida seria dele
E a dele, seria minha.
Foi uma paixão calorosa
Um amor com um quê infantil

A gente sempre se divertia
Brincávamos de adedonha, tomando vinho
Amávamos-nos nas areias das praias
Sem medo algum de sermos vistos
O amor enche os olhos

Mas como veio, foi.
Ele era muito jovem
Cheio de mimos familiares
Praticava o desapego
Mas mesmo assim
Sei que me amou
Vi seus olhos em desespero
Quando anunciei a partida
Isso me fez ficar
E ele partiu.

O terceiro

Esse foi um amor louco
Na verdade ainda é
Nunca conseguimos cortar os laços
Mesmo passando meses sem se ver

Temos muito em comum
O rock, a ânsia pela vida
O fascínio pela mente humana

A pele é o nosso maior propósito
Isso não diminui os sentimentos
Sei que ele existe
E não é pequeno
Mas como ambos
Nunca quiseram se entregar a esse amor
Amamos pela metade
E nos damos por completo
Somos uma dupla de incoerentes

Mas que saudade do sorriso dele!

:: Luisa Fernandes ::

quarta-feira, 12 de agosto de 2009



Já quis uma vida diferente
Sala cheia de gente
Fechada e enjaulada

Não deu outra
Tristeza no coração
Frustração na alma.

Pintei o rosto
Aspirei vida
Inspirei Alegria

O que é que deu?
Rosto pintado
Mãos prontas
Mudo Mágico!

:: Luísa Fernandes ::

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Talvez eu tenha gosto por amores impossíveis
Difíceis
Mas amores inquebráveis
Irremediáveis
Intransponíveis
Talvez o que chegue de bandeja
Não me encha os olhos
Não satisfaça a minha ânsia pelo novo
Desde pequena aprendi que o amor é luta.
Que o amor foge a qualquer teoria
Que não está nas bancas de jornal

Está num sorriso tímido
Na saliva
No suor.

O amor não é breve
O amor não se desfaz por desgosto
Mágoa
Tristeza
O amor pode até crescer diante disso
Renascer

Será o tempo amigo dos amantes?

Na minha vida há um vazio
Por a sua vida não está enlaçada
Aos meus dias
Há um gosto amargo
Nas frutas mordidas
Há um adeus que dói
Ao cair da noite
Na chegada da manhã
Uma esperança que insiste em existir
Em minha alma.

Será que passei a acreditar no impossível?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009


Passei um dia, mergulhada em mim mesma.
Sabe quando você se da ao direito do silêncio?
Não quis papo com ninguém.
Fiquei envolta em livros, filmes, poesias.
Solidão.
A paz da solidão.
Agitei-me em alguns momentos. Senti-me só.
Chorei baixinho.
Sorri sozinha.

Fiz uma retrospectiva da minha vida.
Dos meus relacionamentos.

Vi-me como a personagem Clementine, de “Um brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Nunca me identifiquei tanto com um personagem, como aconteceu com ela.
Uma garota que fugia de si mesma. Sabotava-se.
Lembro de uma frase dela: “Sou apenas uma garota ferrada, em busca da minha paz de espírito”.
Nesse momento é assim que me sinto.

Preciso me encontrar. Estou a um passo disso.
Dizem que quando a gente se encontra de fato, é hora de partir para uma outra vida.

Diante de todas as tormentas. Ao findar do dia, sinto-me mais leve.

Surgiu uma força gigante dentro de mim.

É hora de plantar a semente e saborear os frutos.

Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria

Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria
Isso pra mim é viver!

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Vou usar uma frase do Ferreira Gullar, que me define: " A vida sopra dentro de mim pânica, como a chama de um maçarico, e pode subitamente cessar ".